Empreender também é ocupar espaços de decisão.
Foi com esse propósito que, durante a aula desta semana do Projeto Obinrin/EMGEA, promovido pela REAFRO, nossas participantes foram convidadas a realizar um exercício diferente: refletir coletivamente sobre como tornar mais acessível, inclusivo e efetivo o Programa Contrata+Brasil, iniciativa do Governo Federal voltada à ampliação do acesso de micro e pequenos empreendedores às compras públicas.
Mais do que conhecer uma política pública, as mulheres foram chamadas a contribuir com sua construção.
Divididas em grupos, responderam aos questionamentos propostos na Oficina Contrata+, pela nossa diretora e mentora Daise Natividade, apresentando sugestões, desafios e soluções construídas a partir de suas próprias vivências como empreendedoras negras e indígenas. São experiências reais de quem enfrenta diariamente barreiras de acesso ao mercado, ao crédito, à informação e às oportunidades de contratação pelo poder público.
As contribuições produzidas durante essa atividade serão sistematizadas e levadas ao Governo Federal como propostas de aperfeiçoamento do programa. Elas integrarão o debate que acontecerá no próximo dia 30 de junho a 02 de julho, durante a reunião do Fórum Permanente das Micro e Pequenas Empresas e da Estratégia Nacional de Empreendedorismo Feminino, ocasião em que serão apresentadas ao Ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
O objetivo é que essas contribuições fortaleçam a construção do Plano Nacional da Estratégia de Empreendedorismo Feminino, especialmente no eixo de Acesso a Mercado por meio das Compras Públicas.
Esse momento representa muito mais do que uma consulta pública. Representa o reconhecimento de que políticas públicas se tornam mais eficazes quando são construídas ouvindo quem vive, diariamente, os desafios que elas pretendem enfrentar.
Na REAFRO, acreditamos que promover autonomia econômica também significa garantir participação social. Por isso, nossos processos formativos vão além da qualificação técnica: formam lideranças capazes de dialogar, propor, influenciar e transformar políticas públicas.
Cada resposta construída em sala de aula é mais do que uma sugestão. É uma voz que reivindica equidade, amplia possibilidades e reafirma que mulheres negras e indígenas devem ocupar, também, os espaços onde as decisões são tomadas.
Porque quando essas mulheres participam da construção das políticas públicas, toda a sociedade avança.

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